quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Demetre - O grego forjador

Santuário de Nossa Senhora da Abadia, Romaria - MG
Em julho de 1932 o jornal O Romeiro, editado em Água Suja - MG noticia que foram necessários mais de mil carradas de pedras, transportadas em carros de boi, para construir o Santuário de Nossa Senhora da Abadia. Hoje a cidade tem três mil habitantes no perímetro hurbano e mais dois mil no rural. Quando me mudei de lá em 1955 era cercada pelo cerrado com cajus, gabirobas, cagaiteiras, mangabas, jenipapos e as vacas bravas da fazenda do Carlito. Passagem obrigatória para quem queria ir dar um tibum no Rio Bagaben. Alí foi construida uma barragem pelos holandeses - vieram atrás de diamantes. Os aguasujenses apelidaram o local de "registro". Lá tinha e ainda tem diamantes. Hoje a cidade é cercada por plantações de soja, café, sorgo e um garimpo de aluvião permitido e não permitido.

Demetre Jean Pelichos em três fases Grécia 1953 Coromandel-MG1968 , Romaria - MG 2007
Em 1935 o forjador Demetre Jean Pilicho nasce na Grécia. Em 1953 foi militar no exército grego. Em 1956 chegou no Brasil e foi trabalhar como ferrador no Joquey Clube de São Paulo. Em 1968, à caça de fortuna, foi garimpar diamantes em Coromandel-MG. Não ficou rico e atribui às mulheres o surrupio de suas economias. Em julho de 2007 o conheci na casa lotérica de Romaria (ex Água Suja). Foi tentar a sorte. Me disse que um dos seus sonhos é falar com o Silvio Santos no programa de televisao.


Casa do Demetre em Romaria, forjando um facão e a faca que comprei sendo usada no aniversário de 49 anos da Marilia.

Sua casa/oficina é construida com caibros e madeiras recicladas. Plástico preto como paredes. Cobertura de Eternit e a privada é daquelas de furo no chão cercado de tábuas para a posição de cócoras. O chuveiro é um balde (içado por roldana) com a dose certa de água para um banho econômico. O fogão tem uma única boca.
Entre as milhares de coisas da sua oficina, além de todas as cartas recebidas e seus documentos, tem a forja, a bigorna, discos de arado para serem cortados no esmeril. Modeladas, forjadas e transformadas em facas únicas com uma lâmina de corte afiado.
Demetre também viaja pelo interior de Minas Gerais vendendo suas facas, facões, roupas baratas e o artesanato que faz com contas e missangas.
Por tê-lo entrevistado me presenteou com uma faca. Comprei outras duas que hoje me ajudam na cozinha.

2 comentários:

Luiz Alfredo disse...

Querido Juva: em´pouco tempo o teu blog dará um puta livro. Continuamos acompanhando, capítulo por capítulo, as tuas peripécias mundo afora. Só em Água Suja mais de cem páginas, no mínimo. Parabéns,brother, te admiramos muito.
Luiz e Aninha.

marcelo disse...

ola
cara,conheço uma figura como esse grego aqui em minha região só q é um italiano...achei interessante sua postagem sobre ele...pesquiso sobre ferreiros...e achei vc na net...sórte ,abraço