terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Posse da Dilma e a expedição do Roosevelt


Cheguei em Sampa dia 22 e fiquei na função de organizar as fotos do trampo para a WWF na Amazonia. Mais de 10 mil fotos. Escolhi perto de 1800 e vou reduzir para 500.
Ainda não terminei. Amanhã vou pra Brasilia fazer um ensaio fotográfico da posse da Dilma. Planejei um projeto para 19 fotógrafos e 8 repórteres fazerem a cobertura mas não conseguimos patrocinio. Como é imperdível este momento histórico brasileiro estou indo. Evelyn e Milton Guran tb vão estar lá.
Como ando muito ocupado este blog está passando por um certo abandono.
Mas, pra compensar, vou mandando noticias da posse.
Feliz ano novo pra todos.
A foto ai de cima foi feita enquanto estávamos acampados nas margens do Rio Roosevelt. Na localidade Panelas. Se quizerem saber mais leiam o livro "O Rio da Duvida" escrito pela Candice Millard (Companhia das Letras) que relata a expedição - início de 1914, que o ex-presidente dos USA Theodore Roosevelt fez junto com o Coronel Rondon. No local deste por de sol eles (perdidos) encontraram um seringueiro que deu as dicas e continuaram a viagem. Roosevelt estava doente, de maca, chegou até Manaus onde se curou.

sábado, 27 de novembro de 2010

Noroeste do Mato Grosso

Orelhão em Nova Floresta - MT


A partir de 27 de novembro vou estar fora do ar nesta região https://mail.google.com/mail/?ui=2&ik=967ceee978&view=att&th=12c888e984ae4ca7&attid=0.1&disp=inline&zw
Vou fotografar a expedição da WWF Brasil para diagnosticar a elaboração dos planos de manejo das unidades de conservação do Noroeste do Mato Grosso. Alguns dos participantes (eu incluido) seguirão pelas unidades de conservação em estudo, percorrendo as estradas e os rios Guariba, Madeirinha e Roosevelt. O inicio da expedição é dia 1 de dezembro e o término dia 20 de dezembro de 2010.
Quando voltar dou mais noticias.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Car free - ano 1 e meio

Dentro do bumba na Dr Arnaldo

Em julho do ano passado, por um trauma financeiro, coloquei meu Peugeot 206 na roda pra tapar os buracos. Foi uma operação traumática sob todos os pontos de vista. O que seria a tábua de salvação provocou um cisma familiar e levei um puta tombo, além de pagar um mico daqueles. Talvez seja a maldição automobile.
Desde então sou buzeiro (ando de ônibus e metrô em Sampa) e curto o prazer da leitura, da observação dos passajeiros, da diversidade de pessoas, estilos de vida, padrão financeiro, idade, sexo, cor, vestuário, tom de voz, cor dos olhos, decotes e perfumes. Escaneio tudo com o olhar, olfato, audição e às vezes o tato. Fica faltando o paladar mas, vez por outra pego um amendoim torrado e doce no camelô da Av São Luiz e vou ruminando na subida da Consolação e descida da Dr Arnaldo. Já lí Voltaire, Maquiavel, Portais búdicos, teses da USP e vi muita, muita gente. Até alguns amigos e agora sou caroneiro ou, nas emergencias, ando de taxi.

As observações de caroneiro.

Todos os motoristas que pego carona, todos, são envolvidos por uma estranaheza enquanto dirigem. Brigam com o carro que ultrapassou o outro lá na frente, com aquele que vinha ao lado e forçou a passagem, do que abriu a porta e bloqueou o fluxo, daquele que tá falando no celular, daquele com o farol alto, daquele que encostou na vaga logo em frente daquele, brigam até com o vento... uma infinidade. O carro, nas cidades é neurotizante, mas na estrada, principalmente naquelas sem tráfego é o maximo. Ainda vou voltar a ter um para estas ocasiões. Cair na estrada (on the road) parar numa cachoeira, praia deserta, água de bica, abrir porteira, ver a boiada passar e aquela moça na janela, heim?

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Memórias Sertanistas

Porfirio de Carvalho

Muitos anos atrás me inscrevi num concurso da FUNAI para ser indigenista e, por não ter completado o curso científico não pude concorrer, mesmo mandando uma carta justificando meu interesse. Nada.
Alguns anos depois fui pra Aldeia Katrimani e fiquei um tempo com os indios Yanomamis, em Roraima. 30 dias. Vi alí um pouco do dia a dia da aldeia. Fomos expulsos por um decreto presidencial - anos da ditadura.
Em 2006 o Felipe Milanez dirigia a revista da FUNAI e me convidou para fotografar uma festa dos Enawene Nawe o Yãkwa. A festa dos espíritos. Maravilhosa. Neste blog tem noticias sobre eles.
Na semana passado lá no SESC Consolação (em São Paulo), o Felipe coordenou o evento Memórias Sertanistas. Ele me disse que quando negociava a realização do projeto com o SESC recebeu um telefonema sendo demitido da National Geographic porque manifestou no twiter seu descontentamento com uma matéria publicada na Veja sobre índios que era totalmente montada. Acho que ele se deu melhor. Talvez um dia, quem sabe, a National Geographic faça um mea culpa, por que, o jornalismo do jeito que tá... tá de amargar. Nesta campanha presidencial a mídia foi sórdida. Já passou. Mas os semóticos vão ter o que falar daqui pra frente.
Voltando às Memórias Sertanistas. Fui no primeiro dia (28 de outubro) e vi dois documentários sobre os Últimos isolados, série dirigida pelo britânico Adrian Cowell. Fugindo da extinção e O destino dos Uru Eu Wau Wau. Em algumas cenas fiquei colado na cadeira de tão impactantes.
No dia seguinte ouvi os bate-papos com Afonsinho (Afonso Alves da Silva), Odenir Pinto e Porfírio de Carvalho. Um cearense da gota. Dá até vontade de participar de uma roda de fogueira onde ele esteja inspirado, como foi neste dia. Seu discurso é envolvente. Contaminante. Como um corte de faca amolada. Falou sobre sua convivência com os Waimiri Atroari (foram quase dizimados, mas sua obstinação e fé - depois de ver vários assassinatos praticados por fazendeiros, garimpeiros e outras autoridades - foram determinantes para sua convicção de protegê-los: www.waimiriatroari.org.br
Porfirio é o autor dos programas Waimiri Atroari e Parakanã. Responsável pela recomposição étnica e demográfica destes povos. Por suas aações a favor dos índios foi demitido seis vezes da FUNAI. Perguntei o que o levava a ter tanta convicção no que faz? "Foram os ensinamentos do sertanista Chico Meirelles.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Ela, a Sabiá Branca


Consegui achar no Caderno Agrícola do Estadão o e-mail do Johan dalgas Frisch - ornitólogo super respeitado. Trocamos e-mails me informado sobre o meu vizinho ilustre. Uma manhã de domingo eu a ví regurgitando no bico do filhote. É ela.

Prezado amigo Juvenal Pereira
Em primeiro lugar devo dar os PARABENS PELO SEU BELISSIMO BLOG! - Que bom gosto,e personaliade!-Parabens mesmo !!!!
Realmente trata-se de uma sabiá -laranjeira ALBINA,o problema desta ave é que a iris de seus olhos é vermelha,a cor que se vê é de seu sangue,uma vêz que não tem pigmentaçao.
Esta coitada e sofredora ave tem restriçao a sair com sol,pois queima sua retina,e em conseguencia impede de se alimentar durantes os dias ensolarados,o que ocasiona sua morte em pouco tempo.
Ninguem estudou extamente quanto tempo uma ave albina consegue viver na natureza.
Outro fato é que sendo branca é facil presa de predadores,gaviõeszinhos,corujas,gatos etc, A ave que vive proximo ao meu estudio em Cidade Jardim, é semi-albina e tem iris marron, portanto pode sair com a luz do sol intensa,assim mesmo esta com os dias contados porque tem um gaviãozinho carijó que vive aqui de olho nela!.
Me mantenha informado,que sera muito importante documentar este fato a greraçoes futuras.
Abraços
Johan dalgas Frisch

Obrigado Johan
Realmente não o fotografei quando o sol está sem nuvens, só em dias nublados mas esta não é uma observação científica porque não fiquei todo o tempo fazendo observações, só quando olho pela janela e ele está na redondeza.
Juvenal


Dalgas, bom dia
Agora ha pouco descendo no jardim vi a sabiá branca,(é certo) com um filhote normal (cor marrom). Eles ciscavam e se alimentavam. Ela voou e depois voltou. No muro da divisa com o vizinho eu a vi regurgitando no bico do filho que esta com um rabo pequeno.

Beleza!!,Vai observando, porque uma sabiá albina dificilmente consegue sobreviver e ainda mais tendo filhote não albino!
Suas observaçoes sao extremanete importante!Detalhe se foi dia claro com sol ou dia com nuvens ou chuva.
Abraços
dalgas

Minhas amigas do rio e brasilia vieram me visitar e viram a Sabiá branca num dia ensolarado. Ela anda sumida.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Um vizinho ilustre


No início da primavera, chegando à tarde em casa, o (a) vi pegando galhos no jardim. Nunca tinha visto um pássaro branco parecido com um sabiá. Ele vou prali, depois prá lá, pousou na palmeira e revoou nas redondezas. Ele tem passado por aqui sempre. Acho que escolheu este território – vou chamar ele porque ainda não se é macho ou fêmea. De manhã os sabiás, na falta de galos, são os primeiros a cantar. O Temajo esteve por aqui e disse que era um sabiá-albino, gosta de minhocas e é repelido pelos outros sabiás pela sua cor. Não acreditei. Mas amansou minha curiosidade momentaneamente. Consultei um amigo ornitólogo e ele ainda não me respondeu. Deve estar passarinhando. Fui no Google e tinha esta notícia: SÃO PAULO - O ornitólogo Johan Dalgas Frisch conseguiu fotografar em São Paulo um raro exemplar de sabiá-laranjeira semi-albino. Para o especialista, a descoberta é como um presente de Natal antecipado para a cidade, já que esse tipo de pássaro dificilmente é visto. Exemplares totalmente albinos, segundo Dalgas Frisch, são mais comuns, mas só são vistos ao raiar do dia.

O mais importante é que tenho um vizinho ilustre.


terça-feira, 5 de outubro de 2010

Tecendo a Manhã (para o segundo turno)


"Um galo sozinho não tece a manhã:
ele precisará sempre de outros galos.

De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro: de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzam
os fios de sol de seus gritos de galo
para que a manhã, desde uma tela tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.

A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão".

João Cabral de Melo Neto


Ontem o prof. de redação publicitária apresentou este texto na ECA-USP.
Como ele mesmo disse: É um texto do caralho.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Matrizes Africanas

Babalorixá Flavio de Yansan

Boa tarde a tod@s.

Motumbá, Mukuiu, Colofé, Saravá.

Meus respeitos aos mais velhos e mais novos.

Preciso, além de cumprimentar os integrantes da mesa, agradecer todos os presentes que, aderindo e participando desta reunião, demonstram sensibilidade ao tema – INTOLERÂNCIA RELIGIOSA -, que como uma manifestação da sociedade, cresce com raízes no preconceito e alimentada pelo mais violento processo de exclusão social: o racismo.

Agradecimentos especiais, sinceros e como muita gratidão ao Vereador Ítalo Cardoso que tem gerado oportunidades, a um segmento fortemente discriminado há séculos: as manifestações e culturas africanas.

Para nós, uma VITÓRIA, um momento histórico conseguir trazer ESTA DISCUSSÃO AO PARLAMENTO DA MAIOR E MAIS CONSERVADORA CIDADE DO PAÍS.

É preciso lembrar que o nobre Vereador, em sua trajetória política, também estendeu “olhos”, a outros segmentos, igualmente desrespeitados e atacados, a exemplo a Comunidade LGBT.

Bem....

Depois de 9 anos em conflito com a PMSP – SubPref.VM, sinto-me obrigado a encabeçar um movimento de resistência, pois tenho sido o ‘alvo principal’ dos intolerantes, burocratas e fanáticos que estão compondo o quadro de funcionários públicos do nosso Município.

Impedir um Terreiro de funcionar. Impedir que os munícipes professem suas fés, tem sido o objetivo de muitas prefeituras, em todo Brasil. É um afronto a Declaração Universal de Direitos Humanos.

Fechar uma ‘ CASA DE AXÉ’, potencialmente regularizada, com vários títulos de reconhecimento de trabalho sério e emitidos pelos Poderes Públicos, que atua em projetos sociais, culturais, além de religiosos, é o maior DESAFIO dos últimos governos paulistanos.

Depois, fechar ‘Casas de Axé’ sem regulamentação ficará fácil!

Inibir discretamente, sem escândalos é a estratégia da Prefeitura Paulistana. Usando do poder de ‘ fé pública’, altera laudos, forja dados e usa seus fiscais como ‘agentes coercitivos’.

É a política do extermínio, de higienização e do embranquecimento da cidade de SP.

A dificuldade de inserir a LF 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da Cultura e da História da África, nas escolas públicas municipais é outro exemplo da postura seletiva do Poder Público.

A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA, sai dos gabinetes políticos, passa pelas escolas, pelos professores, pela Polícia Militar, pelos hospitais e até, pelo Poder Judiciário. Juízes não podem julgar amparados e inspirados em moral religiosa, e sim, na lei, no seu contexto sociológico e na organização da sociedade.


Iyá Ekedji


Em SP a INTOLERÂNCIA RELIGIOSA é sutil e violenta, pois está implícita na legislação municipal, formatada por bancadas fundamentalistas. Em SP, a legislação FERE a Constituição Federal.

O Governo Lula, com todos os seus erros e acertos, foi o primeiro governo federal a lembrar de nós, e isto ninguém pode esquecer: a SEPPIR, O ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL que possui um capítulo sobre as Religiões Afros e a nova denominação dos terreiros, por Comunidades Tradicionais de Terreiros, sugerindo o status de TEMPLOS, nunca antes conquistado.

Não podemos aceitar a especulação imobiliária, que desrespeita nosso ‘espaço sagrado’ para fazer praças ou viadutos. A mesma postura não acontece com outros cultos, quando suas igrejas são poupadas e tornam-se o espaço central de jardins.

Precisamos de uma legislação específica para as Comunidades Tradicionais de Terreiros, pois nossa liturgia e rituais são diferenciados. Este é o nosso pedido. È um direito sermos atendidos!

Mas, isto não significa que não temos que repensar nossos comportamentos e lembrarmos de nossos DEVERES para com as comunidades locais que estamos inseridos. Evitar conflitos é fundamental e uma atitude religiosa.

Surgiram os ‘terreiros urbanos’ que estão subordinados a Lei! Inseridos na cidade precisam conviver em paz com seus vizinhos, e respeitar o DIREITO daqueles que convivem com nossos hábitos, muitas vezes sem gostar e nem nos aceitar. ISTO É CIDADANIA.

Finalmente...

Religião é ‘cultura de paz ‘ e a promoção do bem comum. É aperfeiçoar a conduta humana.

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA é ‘cultura de ódio’. É malígba. ´E retroceder.

Não dá para aceitar!


CÂMARA MUNICIPAL DA CIDADE DE SÃO PAULO

COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS

SP 23.09.10 – Babalorixá Flávio de Yansan


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

domingo, 12 de setembro de 2010

Daguimar dançando na diversidade



No palco montado ao lado dos Arcos da Lapa (Rio) a Escola Mirim de Samba da Portela desfilava calmamente quando entra no palco a Daguimar, toda soltinha num maiô folgado. A platéia vibrou. Ela correu pra lá, pousou como aquelas modelos do SP Fashion Week, voltou pra cá com nova pose, foi ao fundo e executou uns passos de samba. Alguns seguranças tentaram contê-la. Daguimar se esquivava, com os aplausos da platéia, no primeiro dia de shows do Encontro da Diversidade promovido pelo MinC. O show teve outros grupos e Daguimar passou um tempo sem aparecer no palco. Voltou quando os Enraizados Hip Hop mandavam ver. A platéia delirou. Os passos mais vibrantes do Hip Hop fizeram com que seus seios pulassem para fora do maiô. Os seguranças foram assediá-la e novos dribles. A Daguimar foi o show. Afinal os moradores de rua se incluem na diversidade. Quase no final da apresentação um dos convidados foi fazer uma manobra radical tentando escalar a rampa de acesso e caiu com as costelas na quina. A dor foi tão forte que ficou imobilizado. Em menos de 5 minutos a equipe de socorro retirava o azarado usando todos os procedimentos de segurança.


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Confiança cega na Leica



O fotógrafo esloveno Evgen Bavcar, fez na terça, uma palestra no SENAC Consolação: Estética do (in) visível. Fui.
Ele fala um portunhol entendível: calmo, educado e sábio.
No início foram projetadas fotos suas em preto e branco. Ele, como um monge Zen – meditava, acho – por que, não vendo a projeção, o que poderia ocorrer na sua cabeça?
Nenhum nervosismo aparente.
Disse que só a poesia pode explicar, em palavras, uma fotografia.
Por incrível que pareça usa uma lanterna para iluminar algumas de suas fotografias. Para saber se ela está acesa e a bateria carregada ele aciona, pelo tato, um aparelho que, colocado no feixe de luz , emite um som, se sim. Faz uma demonstração para o público emocionado.
Na maior parte das vezes tem o auxilio de uma pessoa, assistente, para realizar as fotografias e as ampliações.
Sua primeira máquina fotográfica era russa. Presente de sua irmã.
Fez uma demonstração de como fotográfica com sua Leica, levando a camera até a altura do olho direito.
Disse que todos os pintores que retrataram Cristo se basearam nas escrituras bíblicas. Nenhum deles o viu. Portanto sua fotografia pode ser a imagem de Deus.

sábado, 21 de agosto de 2010

Os mundos da Rutinha

É o segundo (Yoga) sentido horário!

De vez em quando saímos por Sampa. Já assisti, convidado por ela, as óperas Salomé e Don Carlo no Teatro Municipal de São Paulo. Tentando, de longe, uma retribuição, convidei-a para ver no Teatro Dom Pedro o Barbeiro de Sevilha. O cenário era hitehc
Durante algum tempo ela teve uma coluna “Diário de uma perua” no jornal Estado de Minas dando transparência ao que acontece na capital das alterosas numa visão sutil, erudita e cortante. Pela sua agudeza e inteligência, suponho, a editoria do jornal não manteve a publicação.
O livro "Os portais satânicos de Madame Sade” – ela é uma das autoras, deveria ser lido por um puta roteirista e virar filme de Hollywood dirigido por Glauber Rocha ou, no mínimo uma mini série da TV Globo.
Neste carnaval de 2010 fomos pro Rio atrás dos blocos. Leblon, Santa Tereza e Ipanema: “o circuito carioca” (acontecendo nestes três pontos do Rio, acontece! ). Copacabana também entrou no circuito. Fomos andando do Leme até o posto 6. Para celebrar nossa viagem tomamos champagne Moet & Chandon na barraca da praia. Très chic!
Bem antes disso tudo ai de cima criamos o projeto A Posse do Lula. O nome inicial era Alma Lavada. Foi uma das maiores coberturas fotográficas já realizadas no Brasil: 17 fotógrafos e 5 repórteres desembarcaram de um avião exclusivo, em Brasília, para fotografar, em 2003, a primeira posse do Lula. Resultou na edição da Editora Takano “A Revista 2. O design (Fernanda Sarmento) da edição foi premiado na Alemanha e nos Estados Unidos. Em são Paulo foi realizada uma exposição fotográfica sobre o Viaduto Santa Efigênia. Na abertura a Orquestra Sinfônica fez uma apresentação no Largo de São Bento onde, anos mais tarde, o Sumo Pontífice saudou a população paulista.
Verão passado ela foi pro Alto Rio Negro, na Amazônia, fazer pesquisas sobre um médico e general aposentado do exército brasileiro que vive ha 50 anos na selva. Seus relatos sobre esta viagem são parecidos com a figura do Marlon Brando no filme Apocalypse Now (filme americano de 1979). Desta expedição vai sair uma reportagem, filme documentário e livro.
No dia mundial da fotografia, 19 de agosto, encontrei numa vitrine de Sampa, o livro da Ruth Barros, ao lado do livro do Paulo Coelho e pensei: é a Glória!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Portais Búdicos


Conheci Kogen no Mosteiro Zen Budista Morro da Vargem, próximo de Vitória, no Estado do Espírito Santo, quando, com o jornalista Ademir Assunção, fazíamos uma reportagem para a revista Marie Claire. Ganhamos um prêmio pela publicação.
Depos do Zazen, depois da meditação e dos ofícios, Kogen esculpia, em pedaços de jaqueira, bodhisattvas e outras imagens ligadas ao Zen.
No inverno de 1994 batizei lá, neste mosteiro Zen, o meu filho Manuel numa cerimônia inesquecível. Os padrinhos são a Marilá Dardot e Ernesto Neto.
Em outra ocasião coordenei um workshop “A fotografia e o Zen”. Uma das tarefas do grupo foi fotografar suas esculturas. Uma delas, pela sua beleza e dimensões, necessitou a construção de uma capela ornada por um jardim.
Kogen também escrevia, em cadernos, anotações búdicas e sua trajetória pessoal.
Em janeiro do ano passado ele me convidou para fotografá-lo para a capa de seu livro, ainda em processo. Fomos, eu e o Manuel, para o Pico das Agulhas Negras. Numa madrugada de verão subimos até o Pico das Agulhas Negras.
No alvorecer umas mechas de sol iluminavam - ele e seu manto dourado sobre o Vale do Rio Paraíba.

Algum tempo depois fomos para o litoral norte de São Paulo num final de semana. Ficamos na Casa do Índio, no Sertão do Camburi. Então mostrou os originais do livro. Fizemos fogueira, rango, convesamos na varanda da casa, banho no Rio das Pedras, caminhada pela praia da Baleia conversando sobre o livro, o Zen e a vida.
Na sua peregrinação pelos caminhos foi monge do Mosteiro de Mogi das Cruzes - SP, em seguida no Mosteiro da Liberdade em São Paulo.
Atualmente é o monge residente no Mosteiro Kinkaku-ji em Itapecerica da Serra, cidade vizinha de São Paulo. Ele vai lançar o livro “Portais Búdicos” dia 21 de agosto na Bienal do Livro, no Parque Anhemby, em São Paulo. A partir das 16 horas. Stand da Editora LivroPronto. Vou estar lá e vai ser um prazer recebê-los

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O canto dos escravos

Nos anos oitenta hospedei na minha casa em Brasília um indiano que me contou sobre a evolução do poder a partir das construções. No inicio foram as cavernas, depois as choupanas, as casas grandes, os castelos, as catedrais, os arranham céus e as antenas. Em São João da Chapada, nas proximidades de Diamantina, onde nasceu Aires da Mata Machado Filho, filólogo, autor do livro “O negro e o garimpo em Minas Gerais” tem um exemplo desta trajetória da evolução do poder, aí na foto de cima.

Neste povoado foram extraídos muitos diamantes pela mão negra e escrava. Aires coletou letras e músicas que os negros cantavam no trabalho, na diversão e nos ofícios religiosos. Em 1929, o filólogo viajou para São João da Chapada, e ouviu umas cantigas em língua africana ouvidas outrora nos serviços de mineração. Algumas delas estão no livro - em partituras com letra e melodia. Em 1982 Clementina de Jesus, Geraldo Filme e Tia Doca interpretaram 14 cantigas ancestrais dos negros Benguelas (Vissungos) gravadas no disco O Canto dos Escravos da série Memória Eldorado.
Vissungos - palavra que vem do umbundo ovisungo (cantiga, cântico), conforme ensina Nei Lopes em seu Dicionário Banto do Brasil. Mata Machado sustenta a importância dos vissungos, sua influência nos começos daquele arraial e mais “os vestígios da língua das cantigas na linguagem corrente, na onomástica e na toponímia” – os vestígios de um dialeto banto num tempo em que se pensava que a língua dos negros trazidos como escravos para o Brasil resumia-se ao nagô.

Abaixo de São João da Chapada tem o Quartel do Indaiá (homenagem a uma palmeira). Já foi um quilombo.
Umas duas dezenas de casas, a Capela de Santa Rita, umas galinhas pastando, uma horta coletiva, uma mulher levitando em frente da sua casa nos fundos da capela fazem parte deste cenário.
Nesta viagem fomos eu e o Nem de Tal. Antes, quando esteve em São Paulo (junho de 2010), me presenteou o livro do Aires.