Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Peugeot, mãos e Living Theather, entre outras.


Mais uma vez na estrada

Abri as gavetas, separei das pastas,arrumei e organizei os cromos. Depois digitalizei e junto com outras coisas cai na estrada.
Numa quinta feira, ao meio dia, peguei a Rodovia Fernão Dias e de noite chegava em Belo Horizonte. Família me esperando, cervejas e abraços. Estou de férias do trabalho regimental.
Fico em Belo Horizonte alguns dias fotografando a cidade que passa por uma mudança urbanística na Av. Antonio Carlos. No sábado de manhã, andando pelo centro e fotografando seus ícones para agencias de fotografia, passo em frente Ed. Levy onde morou os Borges (Lô e Márcio) e foi local do início da parceria com Milton Nascimento e deu no que deu: Clube da Esquina. Subi no topo do prédio e de cima fotografei os 360 graus da ensolarada paisagem das alterosas.
O Mercado Municipal fica logo ali em baixo e lá uma porção de freqüentam o mercado na socialização do fim de semana. Os pequenos bares abarrotados de gente que cantam parabéns, vendem bilhetes de loteria, divulgam doenças femininas e muitas especiarias mineiras. Saímos embriagadinhos da silva.
No domingo às 5 da manhã acordo e levo meu Peugeot flex para a feira de automóveis do Mineirão. Preciso vendê-lo. O salário não deu pra pagar as contas. Ainda no sol nascendo estaciono na vaga junto com outros carros de meu irmão. Os fregueses chegam depois das 8h. Enquanto isso vou dar uma banda nas proximidades e fotografar. Na placidez da água da lagoa da Pampulha - caminho pela margem procurando um bom ângulo para fotografar a Igreja. Obra de três grandes artistas: Oscar Nyemeier, Candido Portinari e Juscelino Kubistcheck e que tanto deu no que falar logo depois de sua inauguração (ficou anos proscrita pelo bispo mineiro que considerava sua arquitetura agressiva para os princípios católicos). É encantadora sua arquitetura e murais. Em uma posição privilegiada de ver a igreja encontro João Martins, funcionário de uma empresa que produz cimento para construções e é o responsável pelo painel de controle do enchimento dos caminhões betoneiros. Pergunto se é para ver a beleza da igreja. Ele nem sabe de quem é. “Venho aqui pra pescar e espero tirar uma boa tilápia. Vi a televisão que pescaram uma de seis quilos”.Apostava forte com três varas de pescar na espera.
Contei pra ele a origem e a história da igreja e continuei meu caminho.
Na volta, para a minha vaga na feira, rodeio o Estádio Mineirão e fotografo o lado externo. Daqui há 5 anos vai ser palco de alguns jogos da copa do mundo de 2014.
A manhã corre modorrenta e poucos interessados no meu “leãozinho”. Volto pra casa como na canção de Caetano sem ter vendido nada na feira.
Tenho um encontro com amigos. Flavia Bizzoto está abrindo uma galeria de fotografia na Savassi. Ficou encantada com o portfólio que levei. Uma boa noticia na tarde de domingo.
No início da noite vou para o alto da Av. Afonso Pena fazer fotos noturnas. O frio seco da época, nas proximidades das montanhas de minério de ferro, pede uma casaco aconchegante. Muitas pessoas esperam ali um espetáculo teatral enquanto a noite vai chegando e as exposições fotográficas exigem mais tempo de abertura do diafragma.

Chegou segunda-feira e saio para outras fotografias. Entre estes atos, nas noites e madrugadas bato nas teclas e-mails e organizo a mostra que vou fazer em Ouro Preto na abertura do Festival de Inverno.
Em 1971 junto com o jornalista Fernando Brant, fizemos uma reportagem com o Grupo Living Theater - fomos os únicos jornalistas a ver e fotografar a montagem da peça Big Mother que eles apresentaram junto com as crianças do grupo escolar de Saramenha - cidade vizinha de Ouro Preto. A reportagem foi publicada na revista O Cruzeiro em junho de 1971. Logo depois o grupo foi expulso do Brasil por porte e uso de maconha. A história é mais longa.
Vou mostrar este trabalho com o som de um duo de voz e violão. Algumas destas fotos ilustram o livro “O diário de Judith Malina”. No dia seguinte será a vez do áudio visual Mãos. Em 1974, durante o festival de inverno, fotografei as mãos dos artistas, alunos e participantes. Fiquei um mês fazendo este trabalho. Agora vou exibir a montagem original com uma nova animação e trilha sonora que está sendo criada pelo Vitor Novais.
As projeções serão no inicio da noite na parede da Escola de Minas, ao lado da praça Tiradentes. Apareçam

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Alguém conhece a familia do Demetre?













O Grego forjador Demetre Jean Pilicho morreu fazem meses, me informa o jornalista Wilson Prado do jornal Folha de Romaria, querendo saber se ele tinha parentes e/ou herdeiros, porque o promotor que atua em Monte Carmelo – cidade vizinha de Romaria apossou de seus bens.

“... o promotor que atua em Monte Carmelo, Hamilton Pires Ribeiro, filho do Augusto Pires, apossou-se dos bens do grego. Como dois bons imóveis e mais todas as ferramentas dele. Disse que comprou da família.
Você sabe se ele tem parentes?
Viu lá alguma carta de parentes dele?
A população quer que o jornal investigue e não possui informações...”

Neste blog tem uma postagem contando um pouco de sua vida publicada em 18 de outubro de 2007. http://caxiuna.blogspot.com/search?q=forjador

Na ocasião entrevistei o Demetre. Fui na sua casa, e fotografei alguns de seus documentos que podem ajudar nesta investigação e os enviei para a Folha de Romaria.

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

A noiva do segundo andar


Estava planejando escrever sobre os fantasmas da Câmara dos Vereadores de São Paulo, não dos funcionários e sim dos do outro mundo, das almas penadas. Mas pensando bem é melhor deixá-los vagando. Até comecei a pesquisar o por quê. Meu amigo Hespanha contou que onde hoje está o prédio da Câmara foi um cemitério indígena e que, tempos atrás, na Rua Santo Antonio, que fica na vizinhamça, um português matou barbaramente toda a sua família.

Os jornais da época mostram fotos do uso do heliporto da Câmara como ponto de apoio para os helicópteros que faziam o socorro das vítimas do incêndio do Edifício Andraus.

Um dos oficiais militares que fazem a segurança define a existência deles em decorrência da enorme quantidade de velórios de políticos e autoridades realizados no Salão Nobre.
Agora ha pouco o Soares, garçon que serve o cafézinho matinal, disse que já viu muitos quando eles dormiam no oitavo andar. Pedi ao Soares que definisse como eram. "Como é que você levanta da cama? Explicando: A gente pra levantar da cama bota os pés no chão, levanta e sai andando. Eles não. Saem da cama levitando e voam em direção da porta ou das janelas"

Pela manhã um faxineiro, limpando a porta do elevador, respondendo a minha curiosidade disse que, quando trabalha no período
Dona Antonia, a chefa da faxina, trabalha desde 1970 na casa, relata visões do segundo andar. O fantasma é o de uma noiva que foi abandonada no altar e morreu de desgosto. Pensando melhor vou deixar estes fantasmas na deles aceitando o conselho de muito tempo atrás, quando. em Ouro Preto, na Praça do Chafariz, perto da Casa dos Contos, um morador aconselhou: "Se de noite você ver um assombração na sala da sua casa o melhor é fazer de conta que não viu". Então, diante de toda esta argumentação, me esquivando de assunto tão austero e fugaz vou ficando por aquí.

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Portais búdicos

Monja Coen fará o prefácio.

Nos preceitos búdicos o portal de um Mosteiro Zen não tem chave. Você pode entrar e sair quando quizer.

Conheço Kogen há muitos anos desde quando fui, junto com o jornalista Ademir Assunção, fazer fotos para uma reportagem da Revista Marie Claire no Mosteiro Zen Budista Morro da Vargem -1993, Em Ibiraçú, no Espirito Santo http://www.mosteirozen.com.br/. Desde então ficamos amigos. Voltei fazendo fotos para o livro comemorativo dos 25 anos do mosteiro. Depois batizei o meu filho Manuel e desenvolvi o workshop Fotografia e o Zen.

Nesta última terça-feira encontrei com o Monge no Metrô Vila Madalea, pegamos uma chuva fina e fomos encontrar a Monja Coen http://www.monjacoen.com.br/ para entrega dos originais de seu livro Portais Búdicos. Alí Kogen escreve sua tragetória pessoal e búdica. A Monja Coen fará o prefácio.

Monje Kogen e Monja Coen



Em algumas visitas que fez à minha casa, em Camburi, Kogen escreveu alguns trechos. Conversávamos sobre o livro, a vida, as mulheres, o trabalho, Jung, Carlos Castanheda... e da importância de se ter um mestre. No início de 2008 me ligou pedindo para fazer a foto da capa do seu livro. Fui, com o Manuel, encontrá-lo em um pequeno mosteiro nas proximidades do Pico das Agulhas Negras.


Na madrugada do dia seguinte subimos até o cume e lá fizemos o ensaio, nos primeiros raios do sol.



Pico das Agulhas Negras

Nos proximos meses o livro vai ficar pronto e disponível para os interessados nos Portais Búdicos.

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Virginia - A pretinha



Não me tomem por preconceituoso no uso do adjetivo pretinha. É só uma forma carinhosa de indicar a Virginia, esta da foto. Ela, com freqüência, durante muitas e muitas sessões na Câmara dos Vereadores ocupava uma cadeira, ora no Salão Nobre, ora no Plenário, ora no Plenarinho e ficava ali ouvindo e algumas vezes arriscou comentar e argumentar. Como tenho uma predileção pelas pessoas diferentes fui observando suas atitudes e posturas. Um dia perguntei quem ela era.
Me disse: Meu pai é diplomata.
De onde?
Ele é juiz!
Parou por ai a conversa. Admirava sua assiduidade na casa do povo paulistano. Meus colegas torciam um pouco o nariz pela minha simpatia e argumentavam que ela não batia bem da cabeça.
Como a casa é do povo e no povo tem gente assim porque não ela também?
No mês passado quando saia da sala para mais uma pauta ouço choro e vozes altas na porta do elevador do segundo andar. Minha pretinha, rodeada por dois policiais militares, era escoltada e "convidada" a se retirar da casa.
Perguntei para diversas pessoas o que aconteceu e cada um contava uma história.
Ela morava com 8 irmãos numa casa no Jardim Ângela, Ela dizia que era funcionária da SABESP. Ela dizia para visitantes da Câmara que trabalhava no Cerimonial. Ela dizia que era casada com um dos repórteres da TV.
Naquele dia os dois policiais levaram a Virginia para a Delegacia porque um dos funcionários da casa se sentiu ofendido por ela e fez um BO na delegacia e lá foi minha pretinha falar com o delegado. Ficou internada um mês em um hospital psiquiátrico. Ontem ela reapareceu e, na frente desta foto do Sebastião Salgado que mostra um campo de refugiados na África, fiz a foto.
Perguntei o que tinha acontecido. Ela me contou que ficou internada e agora faz defesa pessoal numa academia de ginástica. Quer ser policial.

Boca do Acre


Ontem visitei a Pulsar - agência de fotografias. Enquanto, junto com o Delfim, identificávamos novas fotos que fiz e eram acrescentadas ao banco de imagens da agência. Na mesa ao lado, Luis Dávila e Laura conversavam projetos de novos produtos. De repente falaram da foto Hotel Romance e minha parabólica pessoal antenou no assunto. O hotel fica em Boca do Acre, cidadezinha no interior do Amazonas, a mais próxima do Mapiá (centro do Santo Daime). Luiz argumentou que o hotel não só oferece a hospedaria mas um romance, muito mais do que uma tranza e propunha que imaginássemos o que vem depois desta porta.
É só abrí-la.

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Di Cavalcante e o sanfoneiro


Em homenagem a imprensa Di Cavalcante realizou este mural feito de pastilha de vidro na fachada do prédio que foi a sede do jornal O Estado de S. Paulo. Ontem, naquele início de frio do outono o sanfoneiro mandava uma música de Luiz Gonzaga, talvez, defendendo o jantar daquele dia.