quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Adi Ribeiro - Mateiro


Uma mistura de Dersu Uzala com caboclo Zen. Esta é a imagem que ficou do Adi Ribeiro. Mateiro que nos acompanhou na expedição Patauá. Um dia na sesta do almoço Adi dormia, deitado sobre as tábuas do convés, com a cabeça apoiada em um degrau de madeira. Me parecia numa boa. Tem 72 anos. Nasceu no município de Anajás - Marajó. Quando jovem tirava leite das seringueiras para fazer borracha . "Não era uma vida boa porque trabalhava de noite e madrugada". Um dia uma onça preta pulou em cima dele mas seu tio Pedro Correia Sobrinho deu um tiro de espingarda carregada pela boca (neste tempo não tinha cartucheira). A onça pegou um porco na fazenda e fugiu. Eles foram atrás. "Tinha uma armadilha no caminho e feriu a onça, não matou. Ela saiu da armadilha e nós atrás. Eu ia no rastro e ele atrás de mim. A onça estava atrás de uma rebulada de açaizeiro onde ela avançou e meu tio atirou."
Nunca foi empregado. Trabalhou na borracha, no óleo de patauá, cortando madeira com o machado e também no corte de palmito. Atualmente é fiscal na Fazenda Ararquara.
Nas caminhadas pelas matas íamos em fila indiana e ele sempre atrás de mim. Me falou que assim me protegia.



Um comentário:

Gabriel disse...

E viva o olhar enternecido de Juvenal Pereira!!! Estamos muito orgulhosos dessa sua série de reportagens emocionais que nos remetem aos relatos de viajantes como Rugendas...Bravo, bravo, bravo!!!!