quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Gugu, Juvenal e Silvio Santos





Foi nos anos 80
O Silvio Santos, por intermédio da Hebe Camargo, concordou em dar uma entrevista.
Eu e o Luiz Fernando Emediato fomos para a casa dele fazer uma reportagem para o Caderno 2. A entrevista foi acontecendo e ficamos para o jantar com a família. Ele é cativante e durante todo o tempo que permanecemos lá a conversa foi animada.
Sílvio Santos pediu que ficássemos um pouco mais porque o Gugu Liberato chegaria mais tarde e queria a nossa presença para ajudá-lo a convencer o Gugu a permanecer no SBT.
A Globo estava namorando o Gugu e tinha feito uma proposta "irrecusável".
Ficamos. Teve lágrimas e choro emocionado.
O Gugu está até hoje no SBT.

domingo, 30 de setembro de 2007

Kanzeon de 11 faces

Kogen esculpindo a Kanzeon

No Vale dos Templos (Kinkaku-ji), em Itapecerica da Serra , 50 km de São Paulo, o monge Kogen Gouveia está esculpindo o Kanzeon de 11 faces em um pedaço de 2 metros do tronco de um jequitibá, com mais de 400 anos, que veio de Camacã, 510 km de Salvador, no estado da Bahia.
Pelos seus cálculos Kogen ainda tem trabalho para mais de dois anos até finalizar a Kanzeon com as 10 faces em volta da cabeça principal. Cada uma das faces está voltada para um ponto cardeal e para os colaterais nas 10 direções: norte, sul, leste, oeste, acima, abaixo, ao lado...


Portal do Mosteiro Zen Morro da Vargem

Conheci Kogen em 1993 no Mosteiro Zen Budista Morro da Vargem (Ibiraçu-ES) quando fui, com o jornalista Ademir Assunção, fotografar para a revista Marie Claire. Naquela época ele esculpia em pedaços de jaqueira Bodhisatwas que hoje ornam o templo do mosteiro.
Eu já tinha afinidades com o Zen e batizei lá o meu filho Manuel Amado Pereira. Foram padrinhos os artistas plásticos Ernesto Neto e Marilá Dardot.



















Templo da Kanon e workshop a fotografia e o Zen - fotos A. R. Leão

Em outra época fui fazer fotos para o livro comemorativo dos 25 anos do mosteiro. Voltei e coordenei o workshop fotográfico “A fotografia e o Zen”. Participaram fotógrafos de várias partes do Brasil. Ficamos lá três dias fotografando, meditando e aprendendo práticas Zen. Kogen tinha esculpido a Kanon com 4 metros de altura. O mosteiro ergueu o Templo da Kanon para abrigá-la.
Querendo aprimorar o aprendizado, Kogen foi para Tokyo e fez um estágio de três meses com o mestre escultor Ito Kojiro.

Kogen na Cachoeira do Rio das Pedras em Camburi

No outono deste ano fomos juntos passar um final de semana na minha casa em Camburi, litoral norte de São Paulo e ali ficamos conversando, passeando, fotografando, fazendo comidas e ele lendo, ainda no laptop, o livro que está escrevendo “A ponte”.
Durante os próximos dois anos irei, periodicamente, até o Vale dos Templos fotografar o andamento da escultura.

sábado, 29 de setembro de 2007

Amazônia em chamas


Queimadas atingem níveis alarmantes na floresta amazônica

Por Bruno Taitson - WWF/Brasil


Juntamente com o fotógrafo Juvenal Pereira, decolei do Aeroporto de Rio Branco (Acre) em um bimotor Sêneca II, na tarde do dia 23 de agosto. O objetivo do sobrevôo era fazer fotografias aéreas da floresta para abastecer o banco de imagens da Rede WWF. Já nos primeiros minutos, percebemos que a meta da viagem sofreria uma alteração. Mal havíamos alçado vôo e já nos deparávamos com diversos focos de incêndio. Assustador. Uma coisa é ver a floresta queimar em imagens de televisão ou em fotos. Outra completamente diferente é presenciar, do alto, chamas consumindo grandes porções de mata nativa, a ponto de chegarmos a tossir por causa da fumaça e a sentir na pele o calor das labaredas. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão federal que monitora por satélite os focos de calor no país, apontam que o número de queimadas* na Amazônia Legal brasileira, entre janeiro e agosto deste ano, aumentou cerca de 96% em comparação com o mesmo período de 2006. Nos oito primeiros meses do ano passado, o Inpe detectou 9.119 focos. Este ano, também entre janeiro e agosto, o número saltou para alarmantes 17.882. Em um sobrevôo de apenas cinqüenta minutos próximo à capital Rio Branco, entre a Rodovia Transacreana e a BR-364, vimos cinco ou seis focos de incêndio. Também pudemos observar grandes áreas que já haviam sido devastadas por queimadas recentes. O trecho sobrevoado apresentou uma amostragem da ação de dois dos principais fatores de desmatamento da Amazônia: pecuária e exploração madeireira. Grandes áreas abertas no meio da floresta eram ocupadas por rebanhos com dezenas e até centenas de cabeças de gado. Também vimos, em vários pontos, toras de madeira empilhadas em clareiras recentemente abertas, prestes a serem retiradas. O acesso às toras se dá por pequenas vias de terra abertas no meio da mata, ligando as clareiras a estradas mais largas que, por sua vez, terminam em rodovias asfaltadas. A situação é ainda mais preocupante pelo fato de a região sobrevoada estar no entorno de uma capital estadual; uma área, em princípio, mais fácil de ser fiscalizada por contar com boa infra-estrutura rodoviária e de telecomunicações. As fotos tiradas durante o percurso revelam a gravidade da situação, mostrando uma paisagem, na maior parte do tempo, encoberta pela fumaça e com visibilidade comprometida. De acordo com Sidney Rodrigues, coordenador do Laboratório de Ecologia da Paisagem do WWF-Brasil, o monitoramento das queimadas é de grande importância para a conservação da Amazônia. “Esses dados servem de subsídio para a elaboração de uma série de medidas preventivas, como a criação de brigadas de incêndio em áreas mais críticas, a definição de calendários de queima e ações de fiscalização e controle”. O coordenador destaca também que, especialmente na Amazônia, as queimadas são utilizadas, principalmente, para preparar o terreno para a formação de pastagens e por grileiros, que queimam áreas antes de ocupá-las ilegalmente com objetivo de lucrar com a venda das terras devastadas. “Por isso, além do monitoramento dos focos de incêndio, também é essencial criar e implementar unidades de conservação, que representam um obstáculo a essas atividades ilegais”, conclui. * na Amazônia, a maior parte dos focos de calor corresponde a queimadas. Notas complementares**: O monitoramento de queimadas e incêndios divulgado pelo Inpe é viabilizado por meio do satélite meteorológico norte-americano NOAA 15 (National Oceanic and Atmospheric Administration), que fotografa a Terra duas vezes por dia e orbita a aproximadamente 850 quilômetros de altitude. O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) divide as ocorrências de fogo na Amazônia em três categorias:

1 – Queimadas para desmatamento: intencionais e associadas à derrubada e à queima da floresta. Principal causadora de impactos ambientais, uma vez que substitui a vegetação florestal por ecossistemas antropogênicos.

2 – Incêndios florestais rasteiros: provenientes de queimadas que fogem ao controle e invadem florestas primárias ou previamente exploradas para madeira. Podem eliminar até 80% da biomassa florestal acima do solo, impactando também a fauna, além de aumentar a inflamabilidade do solo.

3 – Queimadas e incêndios em áreas já desmatadas: resultam do fogo intencional ou acidental em pastagens, lavouras e capoeiras. São responsáveis pela perda de nutrientes de ecossistemas agrícolas e liberam grandes quantidades de fumaça e partículas na atmosfera. As queimadas e incêndios liberam grandes quantidades de carbono na atmosfera, agravando o aquecimento global. Também contribuem de forma significativa para a savanização da Amazônia.
Para ver a matéria na íntegra acessem: www.wwf.org.br/index.cfm?uNewsID=9400

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Coyote 5 anos

Coyote número 1 - foto de Juvenal Pereira

É para comemorar.
Veham todos

A revista literária COYOTE está completando 5 anos de existência e a comemoração será com uma madrugada cultural no Teatro dos Sátyros 2, no próximo dia 6 de outubro (sábado). A noitada começa às 21 horas, com o lançamento da edição de número 15 no Sebo do Bac (saguão do teatro). Em seguida, à 1 hora da madrugada do domingo, tem início a Noite Coyote, intercalando leituras, shows musicais e projeções, no palco do teatro.

Na programação constam o poeta Ademir Assunção, o dramaturgo Mário Bortolotto, os compositores Edvaldo Santana, Carlos Careqa, Wanessa Bumagny e Linari e a atriz Phedra de Córdoba, que lerá poemas do cubano Pedro Juan Gutierrez. Os atores Paulo de Tharso e Daniella Angelotti apresentarão esquete teatral baseada em poema do francês Leó Ferré. O escritor Daniel Cavana lerá poemas de Julio Cortázar publicados na última edição da revista. Os fotógrafos Juvenal Pereira e Edinho Kumasaka farão projeções dos ensaios fotográficos “Olho de Boi” e “Bibelôs em Transe”. Serão exibidas ainda animações do personagem Tulípio, criado por Eduardo Rodrigues e Paulo Stocker, e o curta-metragem “Melodrama Blues”, de Robson Timóteo, com poema de Marcelo Montenegro e música de Fábio Brum.
Editada pelos poetas Rodrigo Garcia Lopes, Marcos Losnak, Maurício Arruda Mendonça e Ademir Assunção, a revista Coyote vem mantendo uma orientação de radicalidade tanto editorial quanto gráfica. Na décima-quinta edição, que está sendo lançada, traz um dossiê de 8 páginas sobre Julio Cortázar (fragmentos da última entrevista, concedida a Jean Montalbetti, um mês antes de sua morte, e poemas inéditos em português, traduzidos por Cassiano Vianna), poemas do inglês Philip Larkin (traduzidos por Luiz Roberto Guedes), um fantástico lipograma de Bráulio Tavares, fragmentos de livro em andamento de Vicente Franz Ceccim e um poema inédito de José Lino Grünewald, cedido especialmente por sua viúva, Ecila Grünewald. Publica também poemas do angolano José Luis Mendonça, ensaio fotográfico de João Urban, história em quadrinhos de Daniel Caballero e contos do londrinense Márcio Américo, do matogrossense Douglas Diegues, e do carioca Paulo Moreira.

Olho de porco































Durante 10 anos fotografei arquitetura, equipamentos, médicos, funcionários e visitantes (sheik, ministros e presidentes) para os jornais do Hospital Sírio Libanês. Gostava do que fazia. Lá é um centro de excelência.
Numa reportagem no centro de pesquisas porcos estavam sendo estudados na sala de cirurgia e a médica veterinária Flávia Coelho cuidava dos animais. Com os auxiliares sacavam os olhos dos porcos para o banco de olhos e também para que os médicos oftalmologistas do curso de pós-gradução pudessem fazer estudos cirúrgicos. São semelhantes aos olhos dos humanos.
Fiz um ensaio fotográfico dos olhos sendo extirpados e depois convidei o web designer Vitor Novais para fazer uma animação em flash. Ficou forte. O olho é a minha ferramenta de trabalho.
Vou apresentar esta animação, pela primeira vez, no dia 6 de outubro no Sátyros - Praça Roosevelt em São Paulo, nas comemorações dos 5 anos da Revista Coyote (Poesia e fotografia). Apareçam.
No ano passado, em março, achei que já não tinha mais perguntas a fazer lá no hospital e saí.
Continuo on the road.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Yãkwa


Sal vegetal


Festa ritual dos índios Enawene-Nawe em homenagem aos espíritos subterrâneos - donos dos recursos naturais e das doenças. É realizada depois que uma série de catástrofes provocadas pela ação dos espíritos subterrâneos, sob a forma de ataques de onças, monstros aquáticos, tribos inimigas e epidemias quase os dizimou totalmente.

Hari-kare

A etnia
Os Enawene-Nawe moram na aldeia Matokodakwa - noroeste do Mato Grosso (Brasil). Também são conhecidos como os Salumãs. Nas suas crenças são descendentes de um único casal de seres humanos, suas tribos ancestrais originalmente habitavam o interior de uma pedra e, graças ao auxílio de um pica-pau, que fez um buraco na pedra abrindo uma passagem ao mundo exterior, eles se espalharam pela superfície da terra.
São muito bem humorados.

No final da tarde vários hare-kares tocam suas flautas

Os costumes
Mudam com freqüência de aldeia. A mudança geralmente é provocada pelo esgotamento dos solos em seus arredores, somado ao acúmulo de defuntos enterrados sob o chão das casas – o que atrai perigosamente os espectros sinistros dos mortos. Entre outras atividades as mulheres cuidam das roças e os homens das pescarias.
Dentro de sua cosmogonia o mundo tem 4 camadas: a terra; acima da terra onde ficam os Enores; acima dos Enores, a vastidão universal; e abaixo da terra, os Yakairitis.


Adultos e crianças levam os peixes moqueados para a aldeia

A festa. Yãkwa
Alguns índios nos esperavam na margem direita de quem desce o Rio Iquê. Na nossa chegada conversas rápidas e ajustes nos enfeites corporais de fibra de buriti. Um deles assume o controle do barco e fomos rio acima numa quase corrida fluvial.
No porto mais próximo da aldeia alguns Hari-Kares (anfitriões), jovens e crianças esperavam os Yãkwas – pescadores. Ali são descarregados os peixes moqueados envoltos em peças de taquara e transportados em cestos nas cabeças dos índios. Velhos, jovens e crianças caminham em fila até avistarem a aldeia. Com gritos, sons e cantos uma nova energia toma conta dos pescadores.
Na subida final a tensão aumenta. Logo em frente os Yãkwas entram na aldeia carregando cestos e estandartes - um peixe moqueado na ponta de um galho. Neste caminho são presenteados com cuias de mingau. Grupos de meninas e mulheres esperam ao lado das malocas.

O encontro

No centro da aldeia os pescadores Yãkwas são recebidos pelos Hari-Kares já enfeitados com fibras de buriti e adornos plumários.
A recepção é uma topada de peito com peito. Não é uma briga. É uma troca de sensações: chegando e deixando chegar depois de mais de 40 dias pescando em rios distantes da aldeia. O receber inclui a produção de beijus, sal vegetal (feito de folhas das palmeiras – função feminina), enfeites, flautas e mingaus.

Em volta do fogo

Também construir a fogueira principal cercada por estacas, em círculo, no meio da aldeia. Nas estacas são amarradas peças feitas com resinas vegetais e envoltas com folhas de pacova. Quando acesas viram tochas perfumadas e determinam um palco/círculo.



No período da vazante dos rios, as tardes e noites da Aldeia Matokodakwa são envolvidas no som inebriante de várias flautas, cantos e danças agradecendo a pescaria e a boa safra.

Texto e fotos de Juvenal Pereira

Faroeste caboclo em Juina

Enawene-nawe


Minha amiga Izabela Ferreira que mora em Belo Horizonte me enviou um e-mail sugerindo que eu visse o vídeo sobre a frustrada visita que o Greempeace e dois jornalistas estrangeiros fariam na tribo dos Enawene-nawe para uma reportagem sobre as condições em que vive esta etnia. http://br.youtube.com/watch?v=q9esNX7bzHY
Inacreditável o que rola na cabeça dos fazendeiros e do prefeito Hilton Campos (PR) no município de Juina (noroeste do Mato Grosso)
Vejam uma das reportagens neste endereço: http://consciencia-textos.blogspot.com/2007_09_05_archive.html.


Adolescente Enawene-nawe

Em maio do ano passado fui até a aldeia dos Enawene-nawe fazer uma documentação fotográfica sobre o Yãkwa (festa para os espíritos subterrâneos) para a Revista Brasil Indígena que é publicada pela FUNAI. Foram quatro dias conhecendo uma das etnias mais encantadoras e me foi dado livre acesso em todos os momentos do ritual.
Fico pensando em como os fazendeiros, vereadores e prefeito foram capazes de tanto autoritarismo e despotismo.
Vou publicar aqui (breve) a minha observação sobre o encontro com eles os Enawene-nawe
Aguardem.