sábado, 17 de maio de 2008

Transversal do muro


Noite destas, a caminho de casa, vi uma pessoa dormindo na Praça Riacho dos Campos. Voltava de um encontro com amigos: alegria, negócios e outras milongas mais. A pessoa estava deitada na esquina que tem a borda arredondada. Dormia na transversal do muro. Diminui a velocidade do carro e um arrepio frio correu pelo meu tórax, com predominância no lado esquerdo.
Me ocorreu prestar um atendimento mas fraquejei.
Na minha garagem que tem porta esta pessoa estaria mais protegida do frio que beirava os 17 graus. O que poderia ocorrer se oferecesse a dormida da noite? Eu ia acordá-la ela poderia ficar irritada... é uma opção ficar largada... o que os vizinhos iriam pensar...ela não sairia mais da minha casa...quanta diferença ha entre nós...continuei no meu caminho. Em casa uma cama macia e aconchegante me esperava.
Ando um pouco aflito com as vergonhas financeiras e sensibilisado com coisinhas miudas. Perto daquela pessoa o que ocorre comigo é um luxo só. Mas, entortado e tosco pelas demais sutilezas do viver é que me olho e me vejo menos, muito menos pior do aquela pessoa.
Mesmo assim ainda reclamo e me angustio. Vai passar.

Um comentário:

Angela disse...

vai passar.pensa q tem menos q alguns, mas mais q a maioria.
bjs