
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
3 garotas do Depósito Nakama

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Verdadeiras histórias 2
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Verdadeiras histórias 1
Construção da nova igreja e a antiga (dir.)Sebastião Silva refugiado da Guerra do Paraguay era garimpeiro e descobriu nas suas andanças pelo Triangulo Mineiro, nas margens do rio Bagagem, muitos diamantes só igualados aos produzidos na Índia.
Três anos depois 5 mil pessoas trabalhavam na mineração e quase todos os primeiros habitantes de Água Suja eram de origem portuguesa que se habituaram a fazer romarias até Muquém de Goiás louvando a imagem de Nossa Senhora da Abadia.
Pela distância e dificuldades das estradas estas viagens/romarias foram ficando trabalhosas e decidiram construir uma capela no povoado. Os cronistas dizem que 1870 caiu uma geada daquelas. Três dias e três noites. Também neste ano começou a construção da capela em Água Suja.
Uma imagem esculpida em madeira
Custódio da Costa foi até a capital do Império e na Rua da Quitanda adquiriu, na casa comercial Franco & Carvalho, a imagem de Nossa Senhora da Abadia. Esculpida em madeira: castanheira. Voltou do Rio de Janeiro em um Cargueiro até a Barra do Piraí e, de lá, em carro de boi chegaram até Água Suja. Foram recebidos com banda de música, fogos e missa campal, perto de onde é hoje o santuário.
“Na verdade, a Virgem Imaculada, parece ter escolhido com particularidade este templo, para nele exercer com especial desvelo e carinho, sua proteção Maternal” - Maria Damasceno no livro Do diamante ao Milagre da fé.
A primeira igreja, toda feita em madeira de lei, media 32 metros de comprimento, 15 metros de largura e 12 metros de altura com a iluminação interna feita pelos famosos lampiões do sistema Boulevar e Aladim com 2.400 velas de potência.
Santuário de Água SujaPaio Amado, um fidalgo da corte do Conde D. Henrique tornou-se monge chegando a ser o frei responsável pelo mosteiro do Monte São Miguel em Portugal.
No vale próximo da ermida ele e outro noviço viram uma grande claridade e foram atrás. Depois de andar duas noites encontraram a imagem de Nossa Senhora em uma pedra que brilhava. Geólogos disseram depois que era de calcário poliemorado do século IV. Amado e o noviço levaram a imagem para o mosteiro e logo apareceram devotos.
Ficou conhecida pelas graças alcançadas dos que invocavam seu nome e porque muitos devotos de sua santidade faziam seu culto numa abadia. Comemorando no dia 15 de agosto, sua assunção ao céu. Gente de todas as classes sociais, invocam sua proteção em momentos de agonia e aflição sempre recebendo em troca sua ajuda e consolo. Esta fama atravessou o Atlântico e chegou até Água Suja onde uma quantidade grande de garimpeiros que ao lavarem o cascalho para acharem os diamantes sujavam a água do Rio Bagagem.
Mais tarde mudou de nome (Com certeza não foi um poeta que a batizou e é pena que poeta não se encontre para crismá-la dando outro nome - Maria Damasceno). Em 1938 passou a ser chamada de Romaria em função das inúmeras romarias de todos os quadrantes do estado e até de fora dele que visitam o santuário para as orações e promessas.
Nossa Senhora d’Abadia no Memorial da América Latina
Uma pequena imagem de Nossa Senhora da Abadia, doada por Carmelina Freitas (nascida em Água Suja) fará parte da exposição de imagens de santos, santas e padroeiras de várias partes do Brasil que será montada no Memorial da América Latina, em São Paulo. Isto, por si, é uma boa história e o que vem a seguir é um verdadeiro milagre: Em que circunstâncias a imagem de Nossa Senhora da Abadia chegou até o Memorial.



Maureen Bisilliat e a imagen doada pela Carmelina
Estou desenvolvendo o projeto em que uma equipe de cinco duplas de repórter/fotógrafo fará reportagens em Cuba, no início de 2009, nos 50 anos da revolução cubana.
Nos encontros e agendamentos para obter apoios ao projeto fui até o Memorial da América Latina para uma primeira reunião com a Maureen Bisilliat - curadora do Pavilhão da Criatividade. Fiz uma rápida apresentação e ela adotou o projeto agendando naquele mesmo instante uma reunião com a Leonor Amarante editora da Revista Nossa América que também abraçou a idéia sugerindo a publicação de uma edição especial.
Nas conversas finais Maureen comentou, mostrando algumas imagens de santos e santas, que está em andamento uma exposição com o eixo temático dedicado aos santos e padroeiras do Brasil. Contei rapidamente a história de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja. Ela ficou encantada e prometi uma imagem da santa para fazer parte da exposição.
Falei com meus irmãos de Belo Horizonte que, como eu, nasceram em Água Suja, procurando saber como conseguir uma imagem. Primeiro falei com o Renato e depois com a Carmelina que disse ter uma imagem já benta e faria a doação enviando-a pelo correio ao Memorial.
Depois de várias reuniões, pesquisas, orçamentos e o design para finalizar o conteúdo do projeto, voltei ao Memorial para um encontro com Fernando Leça que é o presidente. Quando eu e Rebeca entramos na sala da Maureen acabava de chegar uma embalagem enviada pelo Sedex com a imagem que a Carmelina tinha doado. Junto de um carinhoso bilhete e a oração da Nossa Senhora da Abadia. Maurren abriu a caixa admirando a beleza das cores do manto e da imagem. Disse pra Maurren: Olha como ela é milagrosa! Chegar exatamente no mesmo momento em que cheguei. Falamos de sincronicidade.
Em um pequeno altar, junto com vários outros santos (quem sabe um concílio inesperado) Nossa Senhora da Abadia aguarda, na sala do pavilhão, pelo momento de ser vista por muita gente na exposição dedicada aos santos.
Uma ótima notícia. Nosso projeto Cuba: ayer, hoy e syempre foi aprovado pelo presidente do Memorial. Milagre?
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Varrendo flores

terça-feira, 23 de setembro de 2008
De Assis Brasil a Guajará Mirim - Parte 2

Dormimos em redes na sala e na varanda da Escola Chico Mendes. O som da noite, depois da novela Pantanal, é o de uma filarmônica de insetos, sapos e aves noturnas. Nesta harmonia dormi e acordamos às 4 da manhã. Um rápido café de campanha. Em duas caminhonetes 4x4 fomos deslizando pela estrada até Assis Brasil. Um pen drive levava para as caixas músicas caipiras brasileiras e a Cumbia. Cúmbia é a musica típica da Colômbia. Surgiu nos guetos das grandes cidades colombianas.
Malas, mochilas, lap tops, tripé, câmeras e equipamento de transmissão de e-mails via satélite com conexão com a internet dividiam o espaço das carrocerias. Quem tinha este sistema de transmissão via satélite era o Joshoa, jornalista do Washington Post que, depois de ler e enviar seus e-mails, emprestava sua conexão para o Steffano mandar suas resenhas para o jornal Corriere della sera, na Itália.

Em algumas subidas e descidas a caminhonete era traçada e reduzida, mesmo assim balançávamos na pequena camada de lama da chuva. Nas carrocerias tinham bancos de madeira, tipo pau-de-arara e vinham assentados os jornalistas e o pessoal da WWF. Pela estrada encontramos uma família de índios que iam até Assis Brasil para – segundo o motorista, fazer pequenos roubos e coneguir alimentos. Claro que esta é uma visão reduzida da capacidade dos índios.
Novamente em Assis Brasil. No alvorecer daquela manhã azulada uma menina vinha pela rua trazendo num saco plástico os pães para o café da manhã. Alguns metros ao lado da pousada o Rio Acre faz a divisa do Brasil com o Peru.
Assis Brasil - AC
Camisinhas e Álcool.
Na beira da Estrada do Pacífico, perto de Xapuri foi construida a primeira usina de álcool feito de cana naquele Estado. Ainda em fase de testes. Estão chegando! Alguns quilômetros adiante a fábrica de preservativos Natex. Ambas, usina e fábrica, aguardam a homologação de alguns papéis como também os acertos e acordos políticos necessários para sua inauguração. No Aeroporto de Rio Branco embarcamos no mesmo avião monomotor com destino a Porto Velho-RO. Ricardo e Rosineide somaram ao nosso grupo. Rosineide (Neidinha) fez mestrado em Historia da Arte em Campinas. Votou pra Rondônia para trabalhar na FUNAI com os índios isolados para desconfiança e descrença dos marmanjos que achavam que aquela atividade era só para homens. Descontente com oscaminhos da FUNAI fezdenuncias e foi demitida. Ricardo é um nervoso defensor da floresta. O monomotor nos esperava no aeroporto sem janela e porta. Fui sentado e amarrado pelo cinto de cintura e do toráx. De vez em quando me dava um pouco de medo. Mas o encantamento com a paisagem da floresta intocada afugentava estes pequenos fracassos. O percurso em linha reta demorava uns 50 minutos. Nossa viagem demorou 2,30h para ver e fotografar os estragos das diversas reservas e parques indígenas e algumas belesas: fogo, fumaça, derrubada, corte e transporte de madeiras. Chegamos em Guajará Mirim num aeroporto vazio. Ao lado de um pequeno destacamento da força aérea ficava o saguão do aeroporto. Lixo, portas arrombadas ninguém para atender. Faltam letras no luminoso de identificação do aeroporto.
Outra van, desta vez menor, nos acolheu entupindo todos os seus espaços e fomos para o Hotel Mini Estrela a poucos metros da divisa do Brasil com a Bolivia. Fiquei no saguão do hotel tratando as fotos deste trajeto e aproveitando o conhecimento do Ricardo para a identificação delas. Almoçamos no quilo do restaurante ao lado do hotel com algumas especiarias árabes. Rango rápido e fomos para a aldeia dos Waren Xjein na Reserva Lage. Vivem em casas de madeira.
O assoalho fica um metro acima do chão (para dispersar o calor). O teto é de folhas de coqueiros. Mantêm hábitos antigos do ritual da morte e do casamento. No fundo das casas antenas parabólicas os conectam com o mundo, via TV. Criam uma anta em um pequeno curral que fica sempre com a porta aberta. Ela fica uns dias na aldeia e depois volta pra floresta. Passa outros dias na floresta e retorna para a aldeia. Um queixada é o animal de estimação de um jovem.
Na escola da comunidade as lideranças, alertadas pelo sino tocado pelo chefe de posto da FUNAI, se dirigiram para lá.Se acomodaram em carteiras estudantis dispostas em frente a várias cadeiras onde se alojaram os jornalistas e alguns índios: adultos, crianças e jovens mães com seus maridos e bebês.
Depois de uma breve apresentação de cada um deles, jornalistas e índios, começou a entrevista coletiva.
A represa que vão construir na Cachoeira do Jirau – Rio Madeira, vai alagar parte do território indígena. Negociam, com o apoio de ONGs e lideranças políticas, uma forma de receber royalties e indenizações. Querem continuar ensinando sua língua nas escolas e manter os hábitos ancestrais. 
Fim de tarde, fim de entrevista e da visita. Algumas índias trouxeram cestos de tucum que fizeram e venderam para os jornalistas. Comprei um. Lindo!
No crepúsculo passamos pelos pastos que já foram florestas com alguns poucos coqueiros babaçu. Voltamos para Guajará Mirim. A cidade se preparava para festejar o dia da independência do Brasil. Na noite da véspera do dia 7 de setembro desfilam as fanfarras. Palanques, quiosques e barracas ficam apinhados de gente que aproveitam o dever cívico e o associam ao prazer de um passeio noturno. Na manhã seguinte a cidade estava preparada para a parada do 7 de setembro. Em frente do Hotel Mini Estrela carros do corpo de bombeiros se perfilavam atrás dos carros do GOPE. Um trânsito frenético de jovens uniformizados de vários colégios, inclusive alunos de Gobija a vizinha cidade boliviana. É tradição virem desfilar no Brasil e vice-versa nas principais datas cívicas.
De Guajará Mirim até Brasília foram 8 horas de vôo com escalas em Porto Velho e Rio Branco. No final da tarde descemos em Brasília. Na capital da esperança. A conecção para São Paulo foi estressante. A despedida dos outros jornalistas foi alí na esteira onde pegamos as nossas malas e subimos correndo para embarcar no vôo para São Paulo. Chegamos no check in 3 minutos antes de fechar. Descemos em São Paulo perto das 22h de saco cheio de ter comido barras de cereais e bebido sucos durante todo o percurso feito nos aviões da TAM. Que falta de criatividade dos nutricionistas da empresa aérea.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
De Assis Brasil até Guajará Mirim (Acre e Rondonia) Parte I
Divisa do Brasil com a Bolivia. Assis Brasil-AC
Marina SilvaRio Branco - Xapuri
Na manhã do dia seguinte no caminho até o escritório eu e o jornalista Hans Heijt (holandês), passamos pelo parque de Rio Branco - AC e vimos uma jovem mãe apanhando folhas de seringa caídas no chão e perguntei para o que servia. Ela disse que era contra inflamações e prevenia contra o câncer.
No escritório Claudio Maretti, superintendente da WWF Brasil, fez uma apresentação dos objetivos da expedição apresentando mapas, estatísticas e resultados. No meio da tarde embarcamos em um monomotor, com assento para 12 pessoas - sem uma das janelas - para que as fotografias e a filmagem não tivessem a interferência do acrílico. Reencontrei o cineasta Waldir Pina de Barros que fazia a filmagem deste vôo.

Castanheira isolada em pasto
Decolamos para Xapuri (terra do lendário seringueiro Chico Mendes e de muitos outros anônimos) com algumas voltas e vôos rasantes pelo percurso. Fui fotografando a floresta, rios, fazendas, derrubadas e as queimadas com o seu tufo de fumaça. Uma sensação estar sendo privilegiado pela vida: olhava, enternecido, a floresta e tentava entender o por quê. Os tantos porquês.
Elenira Mendes - Filha de Chico Mendes
Livros de Chico Mendes
Depois do almoço fomos de van para Brasiléia, divisa do Brasil com a Bolívia.
Brasiléia - AC
Em Brasiléia visitamos a Cooperacre – Cooperativa de Comercialização Extrativista do Acre. Tem uma polêmica da região. Durante muito tempo a deliciosa castanha produzida pela árvore Bertholletia excelsa. O gênero foi batizado em homenagem ao químico francês Claude Louis Berthollet. A árvore é conhecida como castanheira e produz a Castanha do Pará. Os catadores dos outros estados amazônicos reclamaram do nome “Castanha do Pará” por que a castanha não é produzida apenas no estado do Pará. Mudaram o nome para Castanha do Brasil. Agora os extrativistas da Amazônia boliviana e peruana reclamam do nome. Querem mudar para Castanha da Amazônia. Quem viver verá. A comercialização e a produção de castanha foi muito boa na safra de 2007 e faziam a capina do terreno ao lado do armazém para um futuro galpão. A armazenagem da castanha tem que ser feita com madeira porque se for feita em alvenaria a castanha apodrece.
Folha de latex FDL
Reserva Chico Mendes, Noroeste de Brasiléia AC
Fomos de Van.
Dentro da Comunidade São Pedro, na colônia Cumaru, o doutor da borracha desenvolve um projeto de fabricação artesanal de mantas de látex sem ser defumada. A tecnologia FDL (*) foi desenvolvida pela UnB (Universidade de Brasília) e o Doutor da Borracha – João Rodrigues de Araujo, como é conhecido o fabricante das mantas, bandeiras e sapatos feitos com látex laminado. Para presentear os jornalistas foram encomendadas bandeiras da Holanda, Itália e Estados Unidos. Não deu tempo para o doutor finalizar a encomenda e assistimos o manuseio do processo de laminação de uma pequena manta feita em minutos a partir de uma colheita recente de “leite” de seringueira. Improvisou um marcador comum com um garfo e descobriu que cortando duas mantas juntas com tesoura elas se colam. A mesa é a tampa de uma caixa d´água, feita de fibra de vidro “Não é adequado mas resolve o problema” afirma, orgulhoso, o doutor da borracha.
(*) SEM DEFUMAÇÃO – A folha de borracha produzida de acordo com a técnica alternativa recebe o nome de Folha de Defumação Líquida (FDL). O látex colhido da seringueira é coagulado com o uso de ácido pirolenhoso, subproduto da carbonização da madeira, que já incorpora ácidos e alcatrões. A secagem da FDL é feita em temperatura ambiente, ao ar livre, dispensando a fase de defumação. Isso livra o seringueiro da exposição excessiva à fumaça e melhora sua qualidade de vida.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Comunidade do Lage - Etnia Oro Waram Xijein



