quinta-feira, 8 de julho de 2010

Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha


"O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia
ler nem escrever. Às quatro da madrugada, quando a promessa de um
novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e
saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja
fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os
meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do
desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia. Azinhaga de seu nome,
na província do Ribatejo. Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. No Inverno, quando o frio da noite apertava ao
ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às
pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama.
Debaixo das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os
animaizinhos do enregelamento e salvava-os de uma morte certa. Ainda
que fossem gente de bom caráter, não era por primores de alma
compassiva que os dois velhos assim procediam: o que os preocupava,
sem sentimentalismos nem retóricas, era proteger o seu ganha-pão,
com a naturalidade de quem, para manter a vida, não aprendeu a
pensar mais do que o indispensável.
Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de
pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei
lenha para o lume, muitas vezes, dando voltas e voltas à grande roda
de ferro que acionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário
e a transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das
searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de
ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que
depois haveria de servir para a cama do gado. E algumas vezes, em
noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: "José,
hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira". Havia outras duas
figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais
antiga, por ser a de sempre, era, para toda as pessoas da casa, a
figueira. Mais ou menos por antonomásia, palavra erudita que só muitos anos
depois viria a conhecer e a saber o que significava... No meio da paz
noturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e
depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eu
noutra direção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu
côncavo, surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de
Santiago, como ainda lhe chamávamos na aldeia.
Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e
os casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros,
episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra,
palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me
mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava. Nunca
pude saber se ele se calava quando se apercebia de que eu tinha
adormecido, ou se continuava a falar para não deixar em meio a
resposta à pergunta que invariavelmente lhe fazia nas pausas mais
demoradas que ele calculadamente metia no relato: "E depois?". Talvez
repetisse as histórias para si próprio, quer fosse para não as
esquecer, quer fosse para as enriquecer com peripécias novas.
Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será
preciso dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de
toda a ciência do mundo. Quando, à primeira luz da manhã, o canto
dos pássaros me despertava, ele já não estava ali, tinha saído
para o campo com os seus animais, deixando-me a dormir. Então
levantava-me, dobrava a manta e, descalço (na aldeia andei sempre
descalço até aos 14 anos), ainda com palhas agarradas ao cabelo, passava da parte cultivada do quintal para a outra onde se encontravam as pocilgas, ao lado da casa. Minha
avó, já a pé antes do meu avô, punha-me na frente uma grande
tigela de café com pedaços de pão e perguntava-me se tinha dormido
bem. Se eu lhe contava algum mau sonho nascido das histórias do avô,
ela sempre me tranqüilizava: "Não faças caso, em sonhos não há
firmeza". Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher
muito sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que,
deitado debaixo da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de
pôr o universo em movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos
anos depois, quando o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era
um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também
acreditava em sonhos. Outra coisa não poderia significar que,
estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde
então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima
da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: "O mundo é tão bonito,
e eu tenho tanta pena de morrer". Não disse medo de morrer, disse
pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que
tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a
graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da
beleza revelada. Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido
alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com
porcos como se fossem os seus próprios filhos, gente que tinha pena
de ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o
meu avô Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao
pressentir que a morte o vinha buscar, foi despedir-se das árvores
do seu quintal, uma por uma, abraçando-se a elas e chorando porque
sabia que não as tornaria a ver."

José Saramago - Discurso ao receber o Prêmio Nobel de Literatura
em 1998.

Acho que não há nada de melhor a fazer para homenageá-lo do que
lhes repassar essa maravilha de discurso que ele proferiu ao receber
o Prêmio Nobel de Literatura e que eu não me canso de ler e reler.

Recebi este discurso enviado pelo meu amigo Nem de Tal que mora em Diamantina - MG

A foto ai de cima foi feita nas proximidades de São Luiz do Paraitinga-SP e a pessoa retratada, ao lado esquerda da árvore, é o fotógrafo Valdir Cruz no começo de sua peregrinação por São Paulo quando iniciou a documentação das árvores de São Paulo para o seu livro. Ele me contou que quando criança em Guarapuava- PR (onde nasceu), lia com a luz do fogão a lenha.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Sábia e ferina macróbia

Jaguar

Peguei na estante as Máximas e Inéditas da Tia Zulmira. Uma das melhores safras do Stanislaw Ponte Preta - o filósofo/humorista dos costumes cariocas e da política brasileira, e vim lendo, no buzão. Editora Codecri 1976. No total são trezentas Máximas e Inéditas com desenhos do Jaguar e prefácio do Sérgio Cabral

Jaguar - desenhista dos bambas. Um dos fundadores do Pasquim: o "hebdomanário".



Política tem esta desvantagem: de vez em quando o sujeito vai preso, em nome da liberdade.

As crises políticas nacionais são tratadas de maneira tão sensacionalista pela imprensa brasileira que, se a gente estiver no estrangeiro, ao ler um jornal brasileiro tem a impressão que, ao voltar, não encontrará mais o país.

O fato de um homem ser muito preparado não implica em que ele seja bom político; creolina também é preparado e limpa latrina.

No Brasil a política se resume em não deixar a onça com fome nem o cabrito morrer.


O carnaval mudou muito. Hoje em dia o verdadeiro folião é aquele que fica em casa, sentado numa confortável poltrona, ouvindo as besteiras que os locutores dizem.

As estatísticas corretas nos deixam sempre uma falsa impressão.

Dono de cartório de protesto é uma espécie de cafetão da desgraça alheia.

Uma mulher do passado da gente dói muito mais do que duas.

Se ginga fosse malandragem o pato era o rei dos malandros.

A experiência ensina que a mulher ideal é sempre a dos outros.

Há sujeitos tão inábeis que sua ausência preenche uma lacuna.

terça-feira, 29 de junho de 2010

O fio de Ariadne e Buda


Moyers: Gosto do que você diz sobre o velho mito de Teseu e Ariadne. Teseu diz a Ariadne: “Eu a amarei para sempre, se você me mostrar como sair do labirinto”. Ela lhe dá então um fio enrolado, que ele vai desenrolando à medida que penetra no labirinto, e depois o segue de volta, até encontra a saída. Você diz: “Tudo o que ele tinha era o fio. É tudo quanto você precisa”.

Campbell: É tudo o quanto você precisa, um fio de Aridane.

Moyers: Ás vezes procuramos, para nos salvar, a fortuna, um poder imenso ou grandes idéias, quando tudo o que precisamos é um pedaço de barbante.

Campbell: Que nem sempre é fácil conseguir. Mas é bom poder contar com alguém que lhe dê uma pista. Essa é a tarefa do professor, ajudá-lo a encontrar o seu fio de Ariadne.

Moyers: Como todos os heróis, o Buda não lhe mostra a verdade em si, mas o caminho que leva a ela.

Campbell: Mas precisa ser o seu caminho, não o dele. O Buda não pode lhe dizer exatamente como se livrar dos seus medos pessoais, por exemplo. Alguns professores podem prescrever exercícios, mas talvez não sejam os que funcionem para você. Tudo o que um professor tem a fazer é sugerir. É como um farol que assinala: “Há pedras ali, navegue com cuidado. Lá adiante, porém, há um canal”.

( O Poder do Mito - Joseph Campbell)

A foto foi feita ontem na Vila Madalena

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Dia de outono


Cinco e trinta da matina. Ligado. Café, arrumações, pen drive, bate papo Gmail, bumba, encontro com Juliana Mieko na fila do terminal Vila Madalena.
Sentados no fundo do ônibus conversamos a estratégia da apresentação: “A necessidade da Câmara dos Vereadores de se comunicar”
Pão na chapa e pingado no bar do Centro Acadêmico da ECA-USP, finalizações, aula iniciada. Mais retoques.
Apresentações de TCC, nervosismo, tempo esgotado. O plano de marketing para a loja PERUSP, de administração familiar é pré-medieval. Show de apresentação!
Agora é nóis na frente da banca e dos alunos. Eduardo, Juliana e eu. Dividimos a apresentação em 3 módulos. Começo eu. Depois Juliana. Alunos e professores atentos. Ficou longa e o Eduardo tem pouco tempo pra finalizar.
Considerações da Banca: O trabalho comunicou e contagiou mas faltou o plano de marketing disse o Prof. Otávio Freire.
A Câmara não vende nada. É um parlamento.

Á tarde no plenário da Câmara se discute a aprovação da construção, ou não, do estádio para sediar a abertura da copa do mundo de 2016, já que o Morumbi dançou. Vai rolar.

Volto pra casa arrastando no bumba. Exausto física e mentalmente. Em casa um bamba pra nivelar e aprece o poeta Rodrigo Garcia. Ficamos ali num lero entre a antropologia e a política. Ele disse que nas aulas que deu nos USA no Departamento de Línguas Românicas na University of North Carolina, nunca viu uma apresentação daquele nível. Mais tarde aparece o poeta Ademir Assunção a Vera e o Paulo. Brindes com um Vinho do Porto pra celebrar.
9 da náite na Casa da Sílvia – decoradora e artista, para comemorar o aniversário do Galo – crooner da Banda Chá de Boldo. Prestem atenção nesta banda. Agregam poesia moderna, ponto de vista paulista/urbano, alegres, ótimos interpretes e compositores.
Volto pra casa andando (entre a Vila Madalena e a Pompéia) pela madrugada paulistana como que, novamente, colocando no nível corpo e mente.

sábado, 12 de junho de 2010

Atalhos



Na quinta de manhã quando fui buscar o pão de manhã cedo encontrei o Julio Vilela e falávamos do trabalho que cada job exige e, lá pelas tantas (quando já abríamos a portaria), ele falou que não existem atalhos, no sentido de que você precisa percorrer um caminho. Contra argumentei dizendo que os atalhos são o conhecimento.
Pelas 9h ia subindo a Rua Guiará para pegar o bumba para o trampo, parei no meio do quarteirão para fotografar esta flor de maracujá. No mesmo momento passa por mim o Akira, que foi laboratorista do Segiy Yamada muito tempo. Foi considerado o melhor printer, em cópias coloridas, de Sampa. Mandou bem.
Ele torce o nariz para as novas tecnologias.
O laboratório onde ele trabalhou muitos anos foi demolido recentemente e um prédio residencial de 20 andares ocupa aquele terreno.
Para provocá-lo mostrei a foto feita na hora e disse para ele que, se eu quisesse, poderia enviar aquela imagem para qualquer lugar, via internet, pelo telefone celular.
Ele franziu a testa.
Fomos conversando rua acima. Ele contou que um dia o fotógrafo Flieg lhe disse que todo o que tinha conquistado na fotografia fora um carro e um apartamento.
Eu disse que o acervo dele vale muito mais do que isso e contei que o fotógrafo Walter Firmo vendeu seu acervo fotográfico por um milhão de reais.
Ele ficou pasmo e me contou que um fotógrafo deu pra ele várias chapas de negativo 13x18cm e ele recusou porque não tinha onde colocar.
Não sabia dos atalhos.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Fotojornalismo


Adepto ao car free (sem carro) pego ônibus e metrô alternadamente para ir e voltar do trabalho e, nestes itinerários, às vezes desço a Rua da Consolação e em outras a Rua Augusta.
Hoje vim no bumba que desce a Rua Augusta. Antes parei no Conjunto Nacional da Av Paulista para ver a Exposição Retrospectiva 2009 de Fotografias da ARFOC. Alí tem um conjunto de fotografias admiráveis mas quem brilha é o poema do Maurilo Clareto, de uma poética visceral. Lilo é daqueles que canta samba, dá gargalhadas, chora e ama. Valeu Lilo me sinto super identificado com o seu poema.


O repórter fotográfico

Você viu o brilho da dor nos olhos das pessoas.
Você sofreu com elas.
Você pisou nas cinzas, na brasa e respirou a fumaça do incêndio.
Você sentiu o cheiro da morte e quase pisou na poça de sangue.
Você tropeçou no cadáver e quase levou um tiro. Você estava no confronto.
Você ouviu os gritos nas entranhas da rebelião.
Você contou os mortos.
Você levou porrada da polícia e foi ameaçado pelo traficante.
Você esteve no coração do lar daquela família dilacerada pela violência.
Você viu de perto a fome e o desemprego.
Ninguém melhor que você sabe o significado físico da miséria,
da exclusão social, da má distribuição de renda.
Porque você esteve também em banquetes nababescos.
Você desceu as ruas da favela e subiu os elevadores da FIESP.
Você sabe o que é Brasilândia, Jardim Ângela, SESC Itaquera
E sabe o que é Leopoldo, Fasano e Credicard Hall.
Você viu – muito bem – onde foi enfiado o dinheiro dos impostos.
Você provou um pouco da vida de quem tem muito, muito mais do que necessitaria ter.
Você comeu caviar.
Você viu a luz na expressão da artista e desejou a boca, as pernas, os seios da modelo.
Você se excitou. Se duvidar, você a amou.
Você fitou o semblante do homem santo, você orou com a multidão. Você foi quase santo.
Você quase beijou o umbigo da passista e sambou na avenida.
Foi pagão entre pagãos.
Você aprisionou a alma do Ianomâmi e ainda tem a sua alma presa em uma aldeia.
Você viveu a glória das vitórias e o desespero das derrotas.
Você esteve sempre ali, na cara do gol.
Você ensurdeceu com o ronco dos motores e aspirou o cheiro de combustível nos cock pits.
Você chorou com toda aquela gente a morte do campeão.
Você estava lá quando o povo foi para as ruas e derrubou o presidente.
Você se misturou aos cara pintadas.
Na festa democrática das eleições você também estava lá. E se emocionou. Você se angustiou com a dor das diferenças, com a tragédia das fatalidades. Você viveu!
Você viveu muito! Você vive intenso.
Por isso você bebe. Você fuma, ri alto, protesta, provoca, faz festa.
E é tachado de maluco, transviado, inconseqüente, alucinado, irresponsável, inconveniente...
Também assim chamam os poetas.

Por isso, não ligue para os humores daqueles que não te entendem e,
sentados atrás da mesa, na frieza dos monitores e do ar condicionado, arautos do “dead line” aguardam, impacientes, sua foto.
Entenda: eles só podem viver depois do fechamento...

Maurilo Clareto.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Soberania

Retrato do poeta Manoel de Barros em azul acima da máscara

É da natureza dos grafites urbanos serem sobrepostos ou deletados. Na pequena e abandonada praça em frente à Camara Municipal de São Paulo, no início da Rua Santo Antonio, este grafiti já mostrou o poeta Manoel de Barros na parede limpa. Ontem estava assim. A praça fica em frente ao quinto maior orçamento público do Brasil. Pela manhã fede a merda. Mendigos a usam como mictório. As crianças não aparecem porque os brinquedos apodreceram. Quem sabe um dia os vizinhos se mobilizem e reinvidiquem a recuperação da praça e a renomeiem em homenagem a este poeta que considero um dos melhores que já lí.

Soberania

Manoel de Barros

Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que
tentara pegar na bunda do vento — mas o rabo
do vento escorregava muito e eu não consegui
pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso
carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos
deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado
e disse que eu tivera um vareio da imaginação.
Mas que esses vareios acabariam com os estudos.
E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li
alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio.
E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria
das idéias e da razão pura. Especulei filósofos
e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande
saber. Achei que os eruditos nas suas altas
abstrações se esqueciam das coisas simples da
terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo
— o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase:
A imaginação é mais importante do que o saber.
Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei
um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu
olho começou a ver de novo as pobres coisas do
chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E
meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam
o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no
corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas
podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as
próprias asas. E vi que o homem não tem soberania
nem pra ser um bentevi.

Texto extraído do livro (caixinha) "Memórias Inventadas - A Terceira Infância", Editora Planeta - São Paulo, 2008, tomo X, com iluminuras de Martha Barros.
P.S. Para o Mario Abel, morador do prédio vizinho à praça e que foi meu assistente.