"Um galo sozinho não tece a manhã: ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro: de um outro galo que apanhe o grito que um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzam os fios de sol de seus gritos de galo para que a manhã, desde uma tela tênue, se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos, se erguendo tenda, onde entrem todos, no toldo (a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo que, tecido, se eleva por si: luz balão".
João Cabral de Melo Neto
Ontem o prof. de redação publicitária apresentou este texto na ECA-USP. Como ele mesmo disse: É um texto do caralho.
Preciso, além de cumprimentar os integrantes da mesa, agradecertodos os presentes que, aderindo e participando desta reunião, demonstram sensibilidade ao tema – INTOLERÂNCIA RELIGIOSA -, que como uma manifestação da sociedade, cresce com raízes no preconceito e alimentada pelo mais violento processo de exclusão social: o racismo.
Agradecimentos especiais, sinceros e como muita gratidão ao Vereador Ítalo Cardoso que tem gerado oportunidades, a um segmento fortemente discriminado há séculos: as manifestações e culturas africanas.
Para nós, uma VITÓRIA, um momento histórico conseguir trazer ESTA DISCUSSÃO AO PARLAMENTO DA MAIOR E MAIS CONSERVADORA CIDADE DO PAÍS.
É preciso lembrar que o nobre Vereador, em sua trajetória política, também estendeu “olhos”, a outros segmentos, igualmente desrespeitados e atacados, a exemplo a Comunidade LGBT.
Bem....
Depois de 9 anos em conflito com a PMSP – SubPref.VM, sinto-me obrigado a encabeçar um movimento de resistência, pois tenho sido o ‘alvo principal’ dos intolerantes, burocratas e fanáticos que estão compondo o quadro de funcionários públicos do nosso Município.
Impedir um Terreiro de funcionar. Impedir que os munícipes professem suas fés, tem sido o objetivo de muitas prefeituras, em todo Brasil. É um afronto a Declaração Universal de Direitos Humanos.
Fechar uma ‘ CASA DE AXÉ’, potencialmente regularizada, com vários títulos de reconhecimento de trabalho sério e emitidos pelos Poderes Públicos, que atua em projetos sociais, culturais, além de religiosos, é o maior DESAFIO dos últimos governos paulistanos.
Depois, fechar ‘Casas de Axé’ sem regulamentação ficará fácil!
Inibir discretamente, sem escândalos é a estratégia da Prefeitura Paulistana. Usando do poder de ‘ fé pública’, altera laudos, forja dados e usa seus fiscais como ‘agentes coercitivos’.
É a política do extermínio, de higienização e do embranquecimento da cidade de SP.
A dificuldade de inserir a LF 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da Cultura e da História da África, nas escolas públicas municipais é outro exemplo da postura seletiva do Poder Público.
A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA, sai dos gabinetes políticos, passa pelas escolas, pelos professores, pela Polícia Militar, pelos hospitais e até, pelo Poder Judiciário. Juízes não podem julgar amparados e inspirados em moral religiosa, e sim, na lei, no seu contexto sociológico e na organização da sociedade.
Iyá Ekedji
Em SP a INTOLERÂNCIA RELIGIOSA é sutil e violenta, pois está implícita na legislação municipal, formatada por bancadas fundamentalistas. Em SP, a legislação FERE a Constituição Federal.
O Governo Lula, com todos os seus erros e acertos, foi o primeiro governo federal a lembrar de nós, e isto ninguém pode esquecer: a SEPPIR, O ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL que possui um capítulo sobre as Religiões Afros e a nova denominação dos terreiros, por Comunidades Tradicionais de Terreiros, sugerindo o status de TEMPLOS, nunca antes conquistado.
Não podemos aceitar a especulação imobiliária, que desrespeita nosso ‘espaço sagrado’ para fazer praças ou viadutos. A mesma postura não acontece com outros cultos, quando suas igrejas são poupadas e tornam-se o espaço central de jardins.
Precisamos de uma legislação específica para as Comunidades Tradicionais de Terreiros, pois nossa liturgia e rituais são diferenciados. Este é o nosso pedido. È um direito sermos atendidos!
Mas, isto não significa que não temos que repensar nossos comportamentos e lembrarmos de nossos DEVERESpara com as comunidades locais que estamos inseridos. Evitar conflitos é fundamental e uma atitude religiosa.
Surgiram os ‘terreiros urbanos’ que estão subordinados a Lei! Inseridos na cidade precisam conviver em paz com seus vizinhos, e respeitar o DIREITO daqueles que convivem com nossos hábitos, muitas vezes sem gostar e nem nos aceitar. ISTO É CIDADANIA.
Finalmente...
Religião é ‘cultura de paz ‘ e a promoção do bem comum. É aperfeiçoar a conduta humana.
INTOLERÂNCIA RELIGIOSA é ‘cultura de ódio’. É malígba. ´E retroceder.
No palco montado ao lado dos Arcos da Lapa (Rio) a Escola Mirim deSamba da Portela desfilava calmamente quando entra no palco a Daguimar, toda soltinha num maiô folgado. A platéia vibrou. Ela correu pra lá, pousou como aquelas modelos do SP Fashion Week, voltou pra cá com nova pose,foi ao fundo e executou uns passos de samba. Alguns seguranças tentaram contê-la.Daguimar se esquivava, com os aplausos da platéia, no primeiro dia de shows do Encontro da Diversidade promovido pelo MinC. O show teve outros grupos e Daguimar passou um tempo sem aparecer no palco. Voltou quando os Enraizados Hip Hop mandavam ver. A platéia delirou. Os passos mais vibrantes do Hip Hop fizeram com que seus seios pulassem para fora do maiô.Os seguranças foram assediá-la e novos dribles. A Daguimar foi o show. Afinal os moradores de rua se incluem na diversidade. Quase no final da apresentação um dos convidados foi fazer uma manobra radical tentando escalar a rampa de acesso e caiu com as costelas na quina. A dor foi tão forte que ficou imobilizado. Em menos de 5 minutos a equipe de socorro retirava o azarado usando todos os procedimentos de segurança.
O fotógrafo esloveno Evgen Bavcar, fez na terça, uma palestra no SENAC Consolação: Estética do (in) visível. Fui. Ele fala um portunhol entendível: calmo, educado e sábio. No início foram projetadas fotos suas em preto e branco. Ele, como um monge Zen – meditava, acho – por que, não vendo a projeção, o que poderia ocorrer na sua cabeça? Nenhum nervosismo aparente. Disse que só a poesia pode explicar, em palavras, uma fotografia. Por incrível que pareça usa uma lanterna para iluminar algumas de suas fotografias. Para saber se ela está acesa e a bateria carregada ele aciona, pelo tato, um aparelho que, colocado no feixe de luz , emite um som, se sim. Faz uma demonstração para o público emocionado. Na maior parte das vezes tem o auxilio de uma pessoa, assistente, para realizar as fotografias e as ampliações. Sua primeira máquina fotográfica era russa. Presente de sua irmã. Fez uma demonstração de como fotográfica com sua Leica, levando a camera até a altura do olho direito. Disse que todos os pintores que retrataram Cristo se basearam nas escrituras bíblicas. Nenhum deles o viu. Portanto sua fotografia pode ser a imagem de Deus.
De vez em quando saímos por Sampa. Já assisti, convidado por ela, as óperas Salomé e Don Carlo no Teatro Municipal de São Paulo. Tentando, de longe, uma retribuição, convidei-a para ver no Teatro Dom Pedro o Barbeiro de Sevilha. O cenário era hitehc Durante algum tempo ela teve uma coluna “Diário de uma perua” no jornal Estado de Minas dando transparência ao que acontece na capital das alterosas numa visão sutil, erudita e cortante. Pela sua agudeza e inteligência, suponho, a editoria do jornal não manteve a publicação. O livro "Os portais satânicos de Madame Sade” – ela é uma das autoras, deveria ser lido por um puta roteirista e virar filme de Hollywood dirigido por Glauber Rocha ou, no mínimo uma mini série da TV Globo. Neste carnaval de 2010 fomos pro Rio atrás dos blocos. Leblon, Santa Tereza e Ipanema: “o circuito carioca” (acontecendo nestes três pontos do Rio, acontece! ). Copacabana também entrou no circuito. Fomos andando do Leme até o posto 6. Para celebrar nossa viagem tomamos champagne Moet & Chandon na barraca da praia. Très chic! Bem antes disso tudo ai de cima criamos o projeto A Posse do Lula. O nome inicial era Alma Lavada. Foi uma das maiores coberturas fotográficas já realizadas no Brasil: 17 fotógrafos e 5 repórteres desembarcaram de um avião exclusivo, em Brasília, para fotografar, em 2003, a primeira posse do Lula. Resultou na edição da Editora Takano “A Revista 2. O design (Fernanda Sarmento) da edição foi premiado na Alemanha e nos Estados Unidos. Em são Paulo foi realizada uma exposição fotográfica sobre o Viaduto Santa Efigênia. Na abertura a Orquestra Sinfônica fez uma apresentação no Largo de São Bento onde, anos mais tarde, o Sumo Pontífice saudou a população paulista. Verão passado ela foi pro Alto Rio Negro, na Amazônia, fazer pesquisas sobre um médico e general aposentado do exército brasileiro que vive ha 50 anos na selva. Seus relatos sobre esta viagem são parecidos com a figura do Marlon Brando no filme Apocalypse Now (filme americano de 1979). Desta expedição vai sair uma reportagem, filme documentário e livro. No dia mundial da fotografia, 19 de agosto, encontrei numa vitrine de Sampa, o livro da Ruth Barros, ao lado do livro do Paulo Coelho e pensei: é a Glória!
Conheci Kogen no Mosteiro Zen Budista Morro da Vargem, próximo de Vitória, no Estado do Espírito Santo, quando, com o jornalista Ademir Assunção, fazíamos uma reportagem para a revista Marie Claire. Ganhamos um prêmio pela publicação.
Depos do Zazen, depois da meditação e dos ofícios, Kogen esculpia, em pedaços de jaqueira, bodhisattvas e outras imagens ligadas ao Zen.
No inverno de 1994 batizei lá, neste mosteiro Zen, o meu filho Manuel numa cerimônia inesquecível. Os padrinhos são a Marilá Dardot e Ernesto Neto.
Em outra ocasião coordenei um workshop “A fotografia e o Zen”. Uma das tarefas do grupo foi fotografar suas esculturas. Uma delas, pela sua beleza e dimensões, necessitou a construção de uma capela ornada por um jardim.
Kogen também escrevia, em cadernos, anotações búdicas e sua trajetória pessoal.
Em janeiro do ano passado ele me convidou para fotografá-lo para a capa de seu livro, ainda em processo. Fomos, eu e o Manuel, para o Pico das Agulhas Negras. Numa madrugada de verão subimos até o Pico das Agulhas Negras.
No alvorecer umas mechas de sol iluminavam - ele e seu manto dourado sobre o Vale do Rio Paraíba.
Algum tempo depois fomos para o litoral norte de São Paulo num final de semana. Ficamos na Casa do Índio, no Sertão do Camburi. Então mostrou os originais do livro. Fizemos fogueira, rango, convesamos na varanda da casa, banho no Rio das Pedras, caminhada pela praia da Baleia conversando sobre o livro, o Zen e a vida.
Na sua peregrinação pelos caminhos foi monge do Mosteiro de Mogi das Cruzes - SP, em seguida no Mosteiro da Liberdade em São Paulo.
Atualmente é o monge residente no Mosteiro Kinkaku-ji em Itapecerica da Serra, cidade vizinha de São Paulo. Ele vai lançar o livro “Portais Búdicos” dia 21 de agosto na Bienal do Livro, no Parque Anhemby, em São Paulo. A partir das 16 horas. Stand da Editora LivroPronto. Vou estar lá e vai ser um prazer recebê-los